Competitiva Internacional IV

Per Amor Vostro

Per Amor Vostro, de Giuseppe Gaudino

Por Táric Marins

Sobre incerteza e delicadeza

Giuseppe Gaudino faz um alerta quanto ao seu novo longa de ficção após dezoito anos afastado do formato: “Per amor vostro é sobre um sentimento. É sobre indecisão”. Assisti-lo é mesmo uma experiência nada usual; vale o ressalto para quem espera uma história de entretenimento linear e facilitada. O espectador que tentar classificar de acordo com suas referências pode ficar encrencado. É uma obra de trato peculiar italiano e estilo arrojado.

A estrutura do roteiro, colaboração do diretor com Isabella Sandri e Lina Sarti, está mesmo comprometida em exprimir os conflitos de Anna (Valeria Golino) dum ponto de vista de difícil alcance para expressão – o interior. Num malabarismo constante para equilibrar dinâmica familiar, boa vizinhança, trabalho novo e o que mais demandar sua intervenção, protagonista vive à exaustão e sufoco em prol dos outros. Uma santa! Canonizada em congelamentos que a transformam em pintura.

Flashbacks situam as memórias infantis num filtro colorido, diferente da sua vida atual borrada em preto e branco. A fotografia de Matteo Cocco em momentos colabora para abstração, noutros extenua o espectador – a instabilidade é proposital para o argumento de indecisão? Talvez. Essa dúvida torna as escolhas mais, ou menos pertinentes? (divago)

Numa conclusão preciosa, Anna fala em rasgo de consciência: “…de tanto não me importar com nada, tornei-me nada”. Se o ponto de partida pretende o desafio de registrar as sensações dessa personagem, explicam-se as escolhas tão ousadas. As misturas estão também nas encenações ora realista, ora teatral, noutras novelística – todos os elementos possíveis aparecem; até um toque brechtiano numa canção que versa sobre a vida de Anna.

Confusão e ordem se alternam nas sequências de um surrealismo comedido – se for uma classificação possível, está feito. A menção à parte da delicadeza na atuação de Valeria Golino é necessária; entregue à sua personagem, é impecável, segura e imprescindível para manter o interesse pelo filme.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Baiana III

Haram

Haram, de Max Gaggino

Por Tatiana de Santana

Poderia ter sido apenas mais um dia monótono na vida de Salwa, uma jovem mulher refugiada da Palestina com seu marido Farid, não fosse pelo encontro improvável com Felícia, uma menina baiana de curiosidade aguçada. Assim foi construído o fio da história de “Haram”, curta-metragem do cineasta Max Gaggino, que leva ao público questões como a interculturalidade e a relação do estrangeiro/refugiado com o território onde vive.

“Haram” encanta pela simplicidade de suas principais personagens. Duas mulheres de universos distintos, com hábitos e culturas que se divergem, mas que vez por outra se convergem para coisas simples como a paixão pela música e pela dança. A diferença de idade não é um problema. As duas atrizes dialogam com facilidade e passeiam com leveza por questões sérias, como a obrigatoriedade do véu na cultura muçulmana e as visões em torno do harám, pecado. Algumas fragilidades podem ser sentidas na atuação da garota. Todavia, isto pouco interfere na fluidez do filme.

A direção de arte faz ótimo uso das janelas como elementos do cenário, e em certo momento elas ganham a dimensão de um símbolo da alteridade presente naquela interação. É preciso abrir a própria janela e olhar para fora. Enxergar o outro, e, consequentemente, ver mais de si mesmo. As músicas também são utilizadas de forma icônica na exposição de cada cultura por meio de cada personagem.

“Haram” é uma obra que propõe, sobretudo, uma reflexão sobre as relações humanas em um mundo de diferenças. Assim como em diversas obras do cinema que trazem personagens refugiados ou imigrantes e carregam traços das experiências de seus diretores, o diretor Max Gaggino também parece levar à obra algo da sua vivência em território baiano, sendo um italiano radicado na Bahia, filho de pai italiano e de mãe egípcia. Há a sensação de deslocamento presente em Salwa, distante de sua terra natal, mas ao mesmo tempo o encantamento perante uma nova cultura e o inevitável e enriquecedor intercâmbio cultural. Os diálogos que percorrem as janelas são um convite a conhecer o outro.

O Amor dos Outros
O Amor dos Outros
, de Deo

Por Calebe Lopes

Cinema independente de baixíssimo orçamento ganha as telas

Na última década fazer cinema tornou-se mais barato. Com a facilidade em conseguir softwares e câmeras DSLR e juntar uma galera de amigos, o cinema independente começou a ganhar maior força, aumentando o número de produção de filmes de baixo orçamento.

“O Amor dos Outros”, de Deo, é resultado disso: produzido, fotografado e montando por apenas duas pessoas, o longa-metragem é um exemplar perfeito do chamado cinema de guerrilha, onde se reúne a galera, junta seus conhecimentos e esforços e faz o filme acontecer com as condições possíveis.

A comédia romântica, produzida pelo grupo Mais Um Filmes, se propõe a analisar os diferentes tipos de relações amorosas que permeiam a geração atual em seus mais diversos níveis, apresentando-nos alguns personagens que lidam com os sentimentos de diferentes maneiras. Os traços do tal cinema independente permeiam toda a narrativa, ficando claro o improviso e o esforço pra que o filme seja feito: todos trabalham de graça, as músicas são cedidas pelas bandas e as locações em sua maioria são casas de amigos e parentes.

Embora se disponha a observar alguns personagens em diversas situações, o rosto principal da trama é o personagem Júnior, uma espécie de Scott Pilgrim brasileiro, homem feito, mas que ainda não amadureceu totalmente e vive com problemas em relação ao sexo oposto. A montagem não-linear da trama nos mostra logo de início o personagem tentando resolver uma série de problemas e vai caminhando literalmente pra trás até que o desfecho nos mostre como tudo aquilo começou.

Inicialmente é preciso considerar que o elenco é sensacional. A interação entre os atores e a naturalidade que conseguem em improvisar suas falas é feita com muita habilidade, e o diretor consegue extrair o melhor de cada um. O filme está repleto de ótimas piadas, que ganham um plus considerando-se a regionalidade (gírias e costumes baianos) e o próprio talento dos atores, num combo capaz de fazer a plateia chorar de rir. O filme é recheado de um bom timing e as piadas soam naturais e certeiras, funcionando na maioria das vezes. O problema, no entanto, vem do roteiro, que mais parece uma enorme colcha construída a partir de vários retalhos de esquetes, trazendo pra obra um caráter episódico que é prejudicado pela montagem por vezes confusa (são tantas mini-histórias de trás pra frente que em certo momento já não conseguimos mais ter uma visão geral do quebra-cabeça da trama em mente), além de que certos seguimentos funcionam, divertem, fazem rir, e outros não, fazendo com que o filme não tenha fluidez entre as cenas e perca ritmo constantemente. Por outro lado, observados separadamente, tais seguimentos são bons.

Se por um lado possui seus sérios problemas de ritmo e foco narrativo, há de se ressaltar o cuidado nos mínimos detalhes, desde a cenografia que trata de trazer diversas referências ao cinema, seja nos ímãs da geladeira ou no figurino, até os detalhes da própria fotografia, que usa de semiótica de maneira inteligente, com objetos de cena estabelecendo divisão entre os personagens em momentos de conflito, por exemplo. O desenho de som é precário, mas a trilha sonora é acertadíssima, estabelecendo todo um clima de filme indie dessa nova leva de independentes que passam em Sundance. Aliás, todo o filme está repleto de referências a esse quase que sub-gênero norte-americano, o mumblecore, que encontrou seu nicho nos últimos anos, e é representado atualmente por nomes como Andrew Bujalski e Noah Baumbach. Além disso, a referência mais clara seja pela fotografia preto e branco, seja pelos diálogos repletos de referências à cultura nerd ou ainda pelo que une todos os personagens principais – a loja de quadrinhos onde trabalham – a comparação mais óbvia é o Kevin Smith dos anos 90, em que podemos facilmente dizer que O Amor dos Outros é uma espécie de Clerks misturado com o seriado The Office e mais um punhado de referências a filmes cult, tudo passado em Salvador.

E aí lembramos que o próprio Kevin Smith fez um filme sem dinheiro, apenas com amigos de longa data, em preto e branco e com pouquíssimas locações, o que nos ajuda a valorizar mais ainda o esforço que resultou em O Amor dos Outros, um filme que tem seus problemas gritantes sim, mas que representa, acima de tudo, uma vontade de fazer cinema, uma vontade por contar histórias que independem de editais, de patrocínios ou de esmeros estéticos. Nisso reside o maior mérito do longa de estreia de Deo: a coragem, a ousadia, a ânsia por fazer cinema – que tanto fazem falta no mercado cinematográfico brasileiro.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Nacional IV

Ifá

Ifá, Leonardo França

Por Vitor Sousa

Ifá explora, em seus 20 minutos de projeção, o universo sagrado do candomblé mesclando, em sua montagem, as linguagens do documentário e da performance.

A estrutura do curta-metragem dialoga com os conselhos oferecidos por um babalorixá que, através do jogo de búzios, revela o oráculo Ifá, responsável por indicar coisas ocultas e perdidas, à própria equipe de realizadores. “Primeiro vocês vão dar alguma coisa pra Exu”, ele afirma, e os realizadores projetam na tela uma belíssima e enigmática performance dedicada ao orixá responsável pelos caminhos.

A câmera de Leonardo França abusa dos supercloses como quem deseja se aproximar de um mundo completamente novo sem perder nenhum detalhe e, por isso mesmo, brinda o expectador com as cores e as histórias de uma religião tão importante para a cultura brasileira, mas que até hoje sofre com o preconceito dos que a ignoram ou dos que não conseguem lidar com o diferente.

Ifá é, sobretudo, um banquete para os olhos. Quase uma oferenda audiovisual aos Orixás. Mas, felizmente para quem o experimenta, com a vantagem de poder ser desfrutada pelos olhos de meros mortais.

Seca

Seca, de Maria Augusta Ramos

Por Vitor Sousa

“Água, aqui, é ouro”! Embora óbvia, até mesmo previsível numa obra fílmica intitulada Seca, essa frase ganha uma força imensa quando proferida por um carroceiro que reabastece seus vasilhames com o precioso líquido. Não é meramente um personagem. É uma das muitas pessoas afetadas por uma realidade que ainda persiste em existir no interior do Nordeste brasileiro. A obra de Maria Augusta Ramos (Morro dos Prazeres), exibida nesse XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, confronta o público com imagens, tão belas quanto fortes, que revelam o quanto ainda estamos distantes de vencer o problema.

Curiosamente, o longa em formato documental, enquanto “descoisifica” as pessoas parece “personificar” as coisas. O caminhão-pipa é a primeira personagem que surge em tela. Acompanhamos o seu “nascimento” e “desenvolvimento” até que ele seja inserido na intrincada trama da seca. E é através dele que vamos acompanhar o desenrolar das muitas histórias contadas pelo filme. Através de muitos planos abertos explorando as paisagens áridas do sertão, acompanhamos o veículo cruzando, diminuto, os caminhos da seca. Dessa forma, imprime-se em nós a forte ideia de um veículo “alienígena” naquele ambiente hostil. A cada novo plano, o caminhão se apresenta menor e mais oprimido.

Esse mundo, tão diferente do nosso, tem dinâmica, cultura e regras próprias. Ali, crianças brincam com garrafas que transportam terra seca, políticos são donos das maiores fontes de água, forquilhas de madeira funcionam como uma espécie de “radar natural” que indica onde encontrar água debaixo da terra, e a previsão do tempo é acompanhada com elevado interesse. Mas o filme é feliz em expor tanto os olhares distantes de quem só tem a opção de esperar quanto os espaços onde o povo celebra a vida com música, dança e repentes.

A montagem reforça, com grandes doses de ironia, o contraste entre as crianças que tapam buracos na estrada em troca de moedas que, ao final do dia, somam R$30 e uns trocados. Cumprem um papel que caberia aos governantes, mas esses comemoram o aniversário de 52 anos de emancipação da cidade ostentando o luxo de shows.

Ao povo, resta a fé, elemento abundante nessa equação. É ela que impulsiona os rituais de quem sobe, de joelhos, as escadarias do santuário e de quem desce às profundezas da terra em busca do precioso líquido. Uma pitada de esperança ressurge quando a pá encontra a terra enlameada no fundo do poço. Enquanto isso, na estrada uma placa anuncia: “Em Breve: Parque Aquático Olhos D’água”.

Seca é um filme que não tem pressa. Seu ritmo faz rima ao marasmo daquela vida que procura exibir na tela. A vida de quem já se acostumou a esperar. Ao fim, ficamos a nos perguntar: até quando?

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Baiana II

Faz-se Filmes2

Faz-se Filmes, de Violeta Martinez

Por Yasmim Müller

Enquanto a preocupação de muitos cineastas é contar sobre suas vivências, muitas vezes para um público específico, Faz-se Filmes parte à procura de narrar histórias que nem sabem se irão encontrar, mas com a certeza do compromisso de realizá-las e exibi-las, como contrapartida. Aliás, “contra-partida” é o foco do projeto, e não apenas uma justificativa de orçamento para preencher formulário de edital do governo.

Onze filmes foram realizados em onze cidades no interior da Bahia pelo projeto “Faz-se filmes” dos estudantes de cinema e audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, dirigido por Violeta Martinez. Com caráter itinerante, esses alunos tiveram a coragem de rodar de van as cidades de Cachoeira, Caldas do Jorro, Canudos, Barra do Mendes, Ibotirama, Una, Uruçuca, Santa Cruz da Vitória, Caraíbas, Butuporã e Igatu. em busca de histórias que pudessem ser contadas na tela.

O projeto não deixa de ser formador de plateia, pois leva ao final de cada realização de um curta a exibição na praça para a comunidade local, além de entregar cópias para seus co-realizadores. Vale ressaltar que o projeto não se apropria das obras realizadas, afinal a equipe só auxiliou essas pessoas a produzirem suas próprias histórias.

Por meio de recortes, descobrimos histórias emocionantes contadas por seus próprios protagonistas, como uma família circense sem lona, um músico à espera da produção de seu clipe e uma futura diretora com suas tramas guardadas. A equipe não só descobriu novas histórias como revelaram grandes artistas que muitas vezes necessitavam de um incentivo como esse para explorarem seu potencial criativo.

Outro fator importante, o projeto não se apropria do lugar, ou seja, como “realizadores colonizadores” que chegam, obtêm informações do local, produzem suas obras a partir de suas perspectivas e vão embora sem deixar vestígio, ou até mesmo sem estabelecer nenhum vínculo.

Ocupar o cinema nas ruas e praças não tem sido a preocupação de muitos festivais de cinema que tenho visitado, até mesmo festival de documentário, observa-se muito pouco o dialogo entre comunidade e esses eventos. Desta forma, só enfraquece a nossa cultura e coloca a arte num patamar que é acessível para poucos.

Em suma, é necessário mais projetos como esses e espero que este possa continuar desvendando novos rumos, encontrando pelas estradas novas histórias para serem adaptadas, afinal o cinema jamais deve se afastar do público e deve transcender o eixo Rio-São Paulo e inserir o cinema nos interiores do Estado.

Faz-se Filmes

Faz-se Filmes, de Violeta Martinez

Por Tatiana de Santana

O longa-metragem “Faz-se Filmes”, resultado de um projeto itinerante em parceria com o governo da Bahia e dirigido pela cineasta baiana Violeta Martinez, é um dos filmes da competitiva baiana do XI Panorama Internacional de Cinema. A obra mostra, logo em seus primeiros minutos, a sua capacidade de impactar aqueles que acreditam no incentivo à prática cinematográfica como ferramenta de democratização cultural.

“Faz-se filmes” é um filme a contar a história por trás da produção de outras obras cinematográficas, que mostra a trajetória da equipe do projeto por 11 pequenas cidades do interior baiano, uma por uma, em busca de pessoas e seus sonhos em torno do cinema, a fim de possibilitá-las a realizar seus filmes. Em uma sociedade onde a prática cinematográfica, embora passe por um processo de democratização, ainda se mostra distante de grande parte da população, em virtude dos problemas sociais e econômicos, o filme é um discurso de esperança em meio à cruel realidade.

A obra toca em diversos pontos, como a dificuldade da população em dedicar- se aos projetos do campo audiovisual em razão de seus vínculos empregatícios em outras áreas de atuação, e a ânsia da população em retratar o local onde vive. Os curtas produzidos no projeto, exibidos em cada cidade, são provas de que o incentivo à produção audiovisual possui grande potencial na modificação de vidas e realidades.

Com caráter documental, o filme não hesita em apresentar todas as faces do projeto. Para além dos sonhos e das oportunidades proporcionadas, são mostradas também as dificuldades da equipe durante as produções. O pouco tempo disponibilizado para a produção em cada cidade, as dificuldades no processo de construção das estruturas para as obras de forma a contemplar o desejo de seus idealizadores, e outros fatores como o risco de violência e a queda de energia em uma das cidades, são mostrados de forma bastante direta. A montagem do filme proporciona ao espectador cenas e diálogos bem escolhidos, e reunidos de forma harmoniosa.

O que fica, no final, é o desejo quase inevitável de assistir na íntegra cada curta produzido, especialmente quando alguns trechos são mostrados ao longo do filme. São diretoras e diretores, atrizes e atores, roteiristas, e sobretudo, amantes do cinema, que em um dia qualquer foram surpreendidos por uma equipe que levava até eles o sonho do primeiro filme.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Nacional III

A Festa e os Cães
A Festa e os Cães
, de Leonardo Mouramateus

Por Calebe  Lopes

Um filme sobre as sensações que permeiam uma juventude

As fotos carregam consigo significados que vão além da simples memória de bons ou maus momentos: elas são uma máquina do tempo que vai direto ao passado e nos traz de volta situações, sentimentos, pensamentos e, principalmente, sensações. “A Festa e os Cães”, de Leonardo Mouramateus, é um filme sobre as sensações de uma juventude.

A simplicidade do curta nos permite uma experiência diferente do comum. Durante a maior parte da projeção, há uma câmera focando em fotos que vão sendo revistas lentamente. Em off, ouvimos inicialmente a narração do personagem principal (o próprio diretor) e depois as vozes dos amigos, relembrando histórias que cada foto traz consigo, indo além do que vemos na imagem, permitindo que nossa imaginação trabalhe e se deixe levar pelo extracampo.

Embora por vezes extremamente artificiais e mal interpretadas – tem momentos que a impressão é de que as falas estão sendo lidas pelos atores -, o embalo do texto, das histórias, a poesia implícita nos diálogos e toda a relação que traz entre os fatores que dão nome ao curta, são, de fato, hipnotizantes.

E então vem, para mim o melhor momento do filme, uma quebra de linguagem e passamos a viver um novo momento, com o personagem principal, que além de nos levar a uma viagem com o seu descontentamento e desapego ao lugar onde mora, com suas histórias e lembranças de outros tempos, com toda a sua recordação dos bastidores de sua juventude, ele ainda nos faz experimentar das suas sensações ao, na melhor cena do filme, nos convidar a curtir as batidas de uma música eletrônica que gosta, tão vazia e ao mesmo tempo repleta de significado assim como suas festas, tornando “A Festa e os Cães” ele mesmo um misto de sensações.

Mate me Por Favor

Mate-me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira

Por Calebe Lopes

Quatro jovens garotas estão voltando da escola e passam por um terreno baldio cercado por mato. Entre a vegetação do lugar, há um corpo feminino totalmente ensanguentado e quase sem vida. Enquanto suas amigas correm pra buscar ajuda, Bia ajoelha-se e se aproxima da pobre alma. Em uma ação inesperada, encosta seus lábios aos da garota semimorta, criando uma dúvida que resume em boa parte a essência de Mate-me Por Favor: seria aquilo um beijo? Uma tentativa de experimentar o sangue que escorria pelos lábios da garota? Ou uma simples respiração boca a boca?

O primeiro longa-metragem de Anita Rocha da Silveira (diretora vinda do universo dos curtas-metragens) é um delicado e longo processo de amadurecimento e identidade, onde a única certeza que temos na vida, a morte, revela-se uma tentadora e sedutora dança. Com uma direção delicada, leve, mas sabendo pesar a mão no suspense em momentos chave, Mate-Me Por Favor é um inusitado exercício de gênero que chega para somar o cenário do cinema brasileiro atual.

Anita nos convida a um universo controlado pelo caos e pela insegurança de uma juventude em uma Barra da Tijuca quase que fantástica, repleta de muros e penumbras e habitada apenas por adolescentes – ao menos não há espaço para adultos ou pais em tela: a realidade ali retratada é a do jovem atual, e não se perde tempo com o que não se refira a uma geração carente da tecnologia, dos relacionamentos virtuais, que incrementam a tão falada e pulsante sede de morrer e continuar vivo, aproveitando e vivenciando tudo intensamente com a certeza de que a vida sempre oferecerá mais e mais.

Mas atenção: muito cuidado se você acha que já conhece o tipinho do filme, supondo que se trata de mais uma obra que retrata a difícil vida colegial de adolescentes chatos. O que interessa a Anita não é apenas o retrato de uma geração, vai além: há uma história ali, um senso de perigo onde o prazer e a morte se misturam e se revelam como únicos caminhos a seguir por aqueles jovens perdidos. Menos pra Bia, a protagonista vivida pela belíssima e talentosa Valetina Herszage, uma jovem que busca autoafirmação e durante o processo do “conhece a ti mesmo” acaba se revelando indecisa quanto a que caminho seguir, muitas vezes misturando o prazer com a dor e a morte, temas esses que permeiam toda a narrativa.

Durante 105 minutos a diretora nos convida àquele estranho mundo repleto de metáforas e referências, onde uma pastora jovem canta funk gospel de letras comicamente duvidosas, procura-se um assassino de diversas impressões digitais e onde feridas, cortes e arranhões parecem eventos epidêmicos em uma escola. Tudo isso embalado por um clima lynchiano (como não ver a decoração da festa de aniversário de Amanda e não lembrar da Laura Palmer? Ou ver a própria pastora com o impagável hit “vem Jesus” e não lembrar de Mulholland Drive ou Blue Velvet?), repleto de referências a Cronenberg, Carpenter, Chan-wook Park (impossível não lembrar da protagonista de Stoker), entre outros. Mate-Me Por Favor é um delicioso e esquisito filme de gênero.

Lá pro segundo ato nota-se um problema de foco na abordagem a que se propõe o filme, e de repente há uma mistura de temas, dilemas e situações que nunca recebem a devida atenção que merecem, alguns mostrando-se até descartáveis caso o tempo em tela fosse redistribuído à trama principal. E são tantas coisas pra abordar que muitas vezes o tal mistério central da trama, a descoberta do assassino, é totalmente deixada de lado e perde seu peso, como se a diretora perdesse o interesse naquele momento. E isso prejudica consideravelmente o desfecho, anticlimático e aberto, que perde um pouco de sua força por conta do segundo ato fazer com que o espectador deposite sua confiança de que será recompensado ao final da trama. E aí, se a decepção surge, também vem a dúvida se Mate-Me Por Favor é um filme mais cabeça do que parece, que flerta muito com o pop e não sabe onde fica, ou se é um filme mainstream que tenta ser cult demais. De qualquer forma, está repleto de sequências belíssimas e seu próprio final é a maior delas. Bem fotografado, sempre criando um aspecto assustador e macro, quase que engolindo suas personagens naquele recluso ambiente, a obra consegue acertar nos momentos de terror, flertando de leve até mesmo com o gore, que nunca se deixa assumir totalmente graças ao acertadíssimo humor do filme, que extrai do estranho, do inusitado, suas pérolas de respiro para a trama. Decisão ótima, inclusive, pois se um filme desse tipo se propusesse a se levar a sério demais, teria notáveis problemas com a comicidade desproposital.

Ao término da sessão, a noção de divertimento vai depender de cada espectador. Para mim, foi motivo de um sorriso confiante, acreditando estar diante de uma nova pérola do nosso cinema, um filme estranho da mesma safra de obras como O Cheiro do Ralo ou Trabalhar Cansa, que custam a achar o seu nicho, mas com o tempo passam a ser valorizados. Vida longa ao cinema de Anita Rocha da Silveira, que certamente ainda trará muitos frutos positivos ao cinema nacional.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Nacional II

Quintal

Quintal, de André Novais Oliveira

Por Táric Marins

Quintal é o lugar ideal para tarefas domésticas, churrasco em família, acumular quinquilharias e – não menos importante – o espaço de brincadeira da criançada. O curta-metragem homônimo explora o lúdico possível desse ambiente do lar. André Novais Oliveira, diretor e roteirista, proporciona minutos de leveza e riso fácil combinando imaginação infantil com atrevimento adulto.

Os efeitos especiais de Gabriel Martins pontuam a história com esperteza e deixam o filme ainda mais divertido e surpreendente. O enredo é organizado no que parece ser uma colagem de realização de desejos do pai e mãe do diretor. Norberto Oliveira e Maria José Oliveira experimentam atuar tendo o filho como “fada-madrinha”; fazem bonito com a participação. O realismo fantástico de Quintal parece um conto de aventura que dá vontade de ser revisto.

Homemq que Virou
O Homem que Virou Armário, de Marcelo Ikeda

Por Táric Marins

Os procedimentos da rotina de trabalho, repetidos exaustivamente, diariamente, reduzem o homem à sua função apenas. Numa comédia quase muda, o curta faz referência argumentativa ao clássico Tempos Modernos (1936) – ainda relevante. O conteúdo é revisitado nas proporções de um escritório. Atos de funcionários e operários transfiguram-nos em objetos, que passam a ser parte do cenário inanimado.

Marcelo Ikeda rege o elenco com sua direção de forma coreografada e metódica. Direção de arte cria ambientação com objetos e signos que colaboram com a atuação e compreensão da ideia do filme. Os barulhos da movimentação cênica são compassados pelo trabalho de som, construindo musicalidade própria. A singeleza romântica é o toque final no curta.

Tropykaos
TROPYKAOS, de Daniel Lisboa

Por Táric Marins

Vivendo num ar condicionado

“Tropykaos é um retrato da minha geração.” A frase é do diretor Daniel Lisboa que, numa entrevista, fala sobre sua intenção com o seu primeiro longa-metragem. Empenhado em mostrar o que define como “lado B de Salvador”, traz roteiro para desconstruir as impressões que o senso comum – enviesado por novelas e propagandas – tem sobre a cidade; limitando a baianidade em estereótipo que não é sua temática cinematográfica, segundo ele.

Como ideia nuclear, o filme traz um poeta em crise, Guima (Gabriel Pardal), que acredita sofrer dum mal que chama “ultraviolência solar”. Sol e calor – tão celebrados pela publicitação comum na terra do verão – aqui são emblemas para aflição física e mental do protagonista. Fantasia e drama contam sua saga para aplacar essa agonia irremediável. Curiosamente, concentra sua resolução no alívio provido pelo aparelho de ar-condicionado.

Imagem e som conseguem ressecar e abafar o público no cinema, que acompanha o quase-herói em constante vertigem, na sua busca – que não é bem por inspiração poética ou coisa assim. Na obstinação de fechar-se numa “bolha de ar frio” se concentra Tropykaos.

Condicionado ao ar que não se renova – mas asfixia – Guima tem na voz da namorada (Manu Santiago) a fala sugestiva: “Vai por mim, seu problema é esse ar-condicionado”. A frase, quase terapêutica, tenta despertá-lo a implicar-se na verdadeira ultraviolência – que não é solar, ou de fora para dentro apenas –, suas questões estão, sim, condicionadas à fuga da vida real. Não há manual de instrução, plano de saúde, editais governamentais ou poções mágicas que possam poupá-lo da sua angústia. Locações de clausura e fotografia sinestésica constroem cenas que “adoecem” (para o bem).

O longo processo de operação do filme pode ter afetado no foco que incita. Roteiro inicialmente sugere um caminho perspicaz para arremate de uma metáfora complexa, digna de simbolizar na tela questões da classe média (antiga e nova). Mas se perde num resultado que valoriza, em closes e atuações, a denotação do calor pelo clima.

Protagonista minimiza a figuração ao justificar-se como tendo “uma genética que não é para viver nessa cidade”. O reforço da busca pelo objeto (ar-condicionado) deixa solto o argumento primordial.

Ainda assim, o filme pode ser visto como retrato de uma geração despreparada para enfrentar a realidade que é viver lá fora. Encarar a vida na sua complexidade é dor. A zona de conforto é fictícia – um ar a que se está condicionado – não há esquiva desse atributo de humanidade. A escolha de como lidar é livre, as consequências inevitáveis.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Competitiva Nacional I

Meio-Fio2

Meio-Fio, de Denise Vieira

Por Yasmin Müller

Uma cineasta em busca de contar a história de uma mulher que está vivenciando uma mudança de vida, ou seja, uma nova empreitada, como cita a protagonista Karine Bon no filme e como é mencionado após algumas sessões que a cineasta se faz presente.

É a segunda vez que Meio-Fio foi exibido na Bahia este ano. Esteve presente em setembro no Cachoeiradoc e exibido aqui no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, junto a Olmo e a Gaivota (Petra Costa e Lea Glob) numa sessão em que questões femininas ocuparam fortemente a sala 1 do Espaço Itaú de cinema Glauber Rocha.

Ao final da sessão me senti emocionada vendo Denise Vieira e Petra Costa lado a lado discutindo o feminismo, duas cineastas produzindo seus filmes em lugares e realidades distintas. Entretanto, se aproximam por narrarem em suas obras, de uma forma tão sensível, o feminino e a mudança de vida de suas protagonistas.

Sendo assim, é necessário ressaltar que o lugar da mulher é em todos os lugares como citou Helena Ignez durante um seminário no próprio panorama.

O curta-metragem Meio-Fio é de 2014 e o primeiro filme de Denise Vieira, realizado no Distrito Federal.

Por meio de planos gerais e detalhes, acompanhamos o cotidiano de uma mulher que está divida entre suas lembranças e seu novo presente, morando sozinha, limpando sua casa, cozinhando para si, cuidando-se e divertindo-se. Essa persona representa muitas mulheres de nossa sociedade contemporânea.

Temos como pano de fundo um condomínio novo em torno do DF, que a personagem mora e onde não observamos nenhuma vida nessa local árido, sem sombras e ausência de vizinhança.

Apesar de Karine ter sua independência, seu trabalho de radialista num programa romântico, percebemos a solidão em seus olhos e desviamos nossa atenção em raros momentos do seu rosto para um telefone que toca inúmeras vezes e é ignorado.

A narrativa é ficcional, porém algumas vivências da atriz acrescentaram e fortaleceram o roteiro e inseriram o filme entre um meio fio de documentário e ficção.

Meio-fio
Meio-Fio, de Denise Vieira

Por Tatiana de Santana

Uma vida solitária em uma cidade asfixiante. Este tem sido um tema bastante presente nas produções cinematográficas, e abordado de forma bela e intimista em “Meio-fio”, curta-metragem da brasiliense Denise Vieira, que traz para as telas a história da personagem Karine Ban, uma locutora de um programa de rádio sobre histórias de amor contadas pelos ouvintes, e que longe dos microfones e do estúdio, também sofre com seus próprios problemas amorosos.

O céu nublado do Distrito Federal e as várias caixas d’água de mesmo modelo sobre os telhados das casas formam o cenário perfeito para as primeiras cenas do filme. A câmera estática denuncia um visual urbano digno de uma linha de montagem: casas de formatos semelhantes entre ruas sem vida, perdidas em um conjunto habitacional. A frieza das cores acompanha toda a história. Até mesmo a cena que retrata de forma literal o título da obra, onde a personagem principal conversa com sua única colega da vizinhança enquanto estão sentadas no meio-fio, parece estar coberta por um véu cinza. Por mais que se tente alcançar o outro, é difícil escapar da solidão.

E é justamente entre os dilemas em torno de alcançar o outro que a personagem flutua. A atuação de Mychelie Durães, carregada de simplicidade e realismo, dá a Karine toda a complexidade de uma mulher solitária e romântica que transita entre dois mundos. Ora representa o papel de uma sábia e conselheira nos assuntos amorosos, ora é apenas um ser humano com suas desilusões e idealizações em torno do amor. Um telefone que por vezes toca, mas nunca é atendido, sugere um relacionamento mal resolvido, como as histórias das ouvintes que são contadas com tanta emoção.

“Meio-fio” mostra por meio de Karine aspectos muito interessantes sobre as diversas faces de uma mulher diante da vida. A narrativa é desenvolvida de forma singela, os diálogos são em sua maioria curtos e precisos, e a história flui com facilidade. Por vezes é como se aquela locutora, solitária na madrugada, acompanhada pelos relatos das suas ouvintes, falasse baixinho ao microfone: “Tem alguém aí?” Mas ninguém poderia responder ou ajudar. Para ela resta (e basta) ser a conselheira de si mesma.

Olmo e a Gaivota

Olmo e a Gaivota, de Petra Costa e Lea Glob

Por Táric Marins

Com delicadeza, atores e atrizes – embalados por uma valsa – estão num palco de teatro e encenam uma versão contemporânea da peça A Gaivota de Anton Tchekhov. A câmera valseia em círculos que, numa fotografia melancólica, instala a sensação do espetáculo. Olívia Corsini interpreta Arkádina, personagem que (na peça, uma atriz famosa) detém o foco.

Grávida na vida real, a atriz precisa abrir mão do trabalho no teatro e resignar-se às limitações impostas pelo corpo. A câmera acompanha Olívia – que narra roteiro orientado por ela – registrando sua jornada no período de gestação. O documentário mescla características se confundido com um romance ou drama. Ficção e realidade se misturam no argumento original de Petra Costa e Lea Glob.

O lirismo inicial vai se desconstruindo aos poucos; com atuações se enquadrando numa escala realista, a proposta de cenas reais – com elenco interpretando a si mesmo – ilustra os pensamentos de Olívia. Privada das fugas, agora precisa encarar-se e ressignificar sua vida. A alegoria da peça se esvai junto com as fantasias femininas de que, como num passe de mágica, a maternidade é capaz de mudar tudo numa mulher. Incubar o milagre da vida, vocação inabdicável, seria obrigatoriamente a mais feliz das experiências. Olívia é a voz da mulher contemporânea multifuncional que discorda e explica o porquê. Direção e edição inserem nas passagens toques que parecem dar um tom de “terapia com o público”.

Digressões francas se empilham para o espectador. O peso dos questionamentos de Olívia, as renúncias e mudanças profundas que acarretam a decisão de gerar um filho, podem – contrários ao que manda a cartilha – desfazer a vida mágica de uma atriz. Com intimidade desnuda, a câmera captura a frustração e o medo no olhar da “marinheira em sua primeira viagem”.

O filme é poliglota e tem múltipla cidadania. Quase simbólico visto a pertinência do conteúdo que merece amplo alcance, quando a nuvem do inconsciente coletivo não permite um paralelo do momento de gestação com sofrimento, ou até luto. Temáticas da pauta feminista são tratadas nesse recorte do momento singular para o gênero. O filme propõe diálogos interessantes para após a sessão.

Olmo2
Olmo e a Gaivota
, de Petra Costa e Lea Glob

Por Yasmin Müller

O novo filme de Petra Costa e Lea Glob, Olmo e a Gaivota, consegue, através do universo teatral, nos transformar em verdadeiros espectadores de mais um ato da vida desse casal de atores. Por meio de cenários, marcações, figurinos e maquiagem, conseguimos enxergar além da coxia desse espetáculo.

Com muita sensibilidade o filme acompanha o cotidiano desses artistas, cujo amor se estende até em seus personagens. Sendo assim, eles se completam para além da realidade vivenciada. Até que um dia essa atriz será substituída, e é justamente nesse viés que o filme levantará inúmeros questionamentos.

O próprio nome do filme nos remete a uma obra: A Gaivota, do escritor russo Anton Tchekhov, uma das suas mais importantes peças de teatro escritas. Mesmo Olivia, a personagem principal do filme, não interpretar Nina, personagem representada por uma gaivota na obra do dramaturgo, o título do longa leva esse nome, pois a necessidade de ser sentir livre também transforma Olivia em uma gaivota. Sendo assim, o título do filme foi uma feliz escolha, pois a personagem continua lutando como a gaivota de Tchekhov.

No entanto tem-se a impressão que o espectador que não conhece essa famosa peça de Tchekhov ficará um pouco confuso ou não entenderá algumas cenas, afinal o filme contém algumas falas da obra que podem não fazer sentido para este espectador como:
“Trigorin engravidou Arkadina?”. Até por que a protagonista do filme interpreta Arkadina, mas aparece como Nina também.

Em relação à excelência de interpretação dos atores, é necessário destacar que estes integram o Théâtre du Soleil, uma importante companhia de teatro com 51 anos de estrada, sediada em Paris e dirigida pela diretora teatral Ariane Mnouchkine, filha de um produtor de cinema e é uma das diretoras mais importantes em atividade. Ariane transformou sua companhia em referência para todos os atores e pesquisadores de teatro, trabalha muito com improvisação, e percebemos o quanto os atores improvisam muitas cenas no decorrer do filme.

Em suma, personagens reais, vivendo e encenando suas próprias histórias, nos levam à reflexão sobre o gênero em questão. Entretanto, o foco do filme vai além desse tipo de debate, pois as diretoras conseguem transmitir e conduzir muito bem o espectador, afinal quantas vezes não somos espectadores de nós mesmos e protagonistas de nossas vidas?

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário